sexta-feira, 30 de março de 2012

Decadence Avec Elegance

Sábado de manhã, Praça da Sé. Uma Mercedes-Benz estaciona e dela descem alguns seguranças, muito prestativos e cuidadosos, sempre atentos a qualquer movimento suspeito. Logo em seguida desce ela, sempre "elegante" com traje impecável e seus bem tratados cabelos loiros, esbanjando uma saúde e vitalidade que não a deixam aparentar seus quase 80 anos.
Imponente como só uma rainha sabe ser, Hebe Camargo sobe no palanque onde já estão seus colegas Carlos Alberto de Nóbrega, Ivete Sangallo e Agnaldo Rayol.

2000 pessoas aproximadamente se aglomeram na praça. Dentre elas, curiosamente não se encontram as dezenas de mendingos que costumam perambular pela região. Onde diabos eles se meteram? Porque não ficaram para o evento?


Na praça da Sé sem mendingos, pessoas continuam a chegar. Algumas delas vieram devido a propaganda da internet, e mais da metade chegaram apenas para ver seus ídolos, como a Ivete por exemplo.

Porém neste sábado, as grandes estrelas são os representatantes da OAB, que encampa o movimento. São eles os donos dos microfones em um ato que, segundo eles, não tinha cunho político mas acabou com o coro de "fora Lula".

Ah, Carlos Alberto de Nóbrega ficou emocionado com o público da praça da Sé e gritou "A Praça é nossa"! Agnaldo Rayol cantou o hino do Brasil e foi lindo! Hebe Camargo disse que era do povo e que já havia participado de vários atos políticos ao longo se de seus mais de 40 anos de carreira. Só a Ivete permanceu calada. A Hebe tem razão, sempre se envolveu com política, só não sitou seus anos de apoio a Paulo Maluf, e tantas outras figuraças carimbadas da direita conservadora nacional.

Enquanto isso fãs da Ivete não respeitam o minuto de silêncio pelo Brasil proposto pelo movimento e berram, gritam e esperneiam em busca da atenção de sua ídola. Ivete acena apenas, nada mais.

E assim se encerra mais uma demonstração de patriotismo e compromisso cívico da nossa elite, sempre preocupada com nós pobres, e com a miséria que nos assola. Depois desse sábado, vendo as fotos da Hebe, da Ivete e de algumas damas da alta sociedade paulistana que se misturaram a multidão com seus cachorrinhos cheirosos e bem vestidos, não consegui tirar essa música do Lobão ( Decadance Avec Elegance) da cabeça, e cheguei a uma conclusão:
O Brasil está cada vez mais decadente, porém alguns ainda insistem em conservar
a elegância!

Mais do mesmo.



Após mais um circo promovido pela democracia burguesa no primeiro turno das eleições, caminhamos para o segundo round da famigerada disputa entre Dilma Roussef e José Serra à presidência da república. Alguém aí tinha alguma dúvida de que esse seria o desfecho desse espetáculo dos horrores promovido pela mídia? O que esperar de um jogo de cartas marcadas onde muito antes das campanhas eleitorais começarem a serem veiculadas nos meios de comunicação, já estarmos carecas de saber que os partidões, financiados pelo grande capital, tomariam conta das TV's, rádios e jornais, com seu discursinho subserviente às grandes corporações e cheio de demagogia eleitoreira? Como levar a sério uma democracia onde somos condicionados a escolher dentre candidatos já escolhidos, por forças que tentam se passar por ocultas?

O papel de azarão dessa vez ficou à cargo do Partido Verde com a candidatura de Marina Silva, ex militante petista, que se calou ante ao escândalo do mensalão e que só veio a deixar o partido após divergências com a então ministra da casa civil Dilma Roussef. Responsável naquele momento pela pasta do meio ambiente, Marina teve vários atritos com Dilma por conta das instalações de hidrelétricas no Rio Madeira que estavam sendo apressadas pelo governo, em detrimento da análise da viabilidade ambiental do projeto, proposto pela atual candidata do PV. Analisando à fundo a candidatura de Marina, vemos claramente que não representa perigo aos interesses da elite que governa esse país. Sua campanha ecologicamente correta atrai muitos votos, sua religiosidade também contou muito à seu favor e, acima de tudo, não apresenta a menor intenção de incomodar a estrutura neo-liberal vigente. Justamente por isso possui tanta abertura na mídia e conseguiu atrair a simpatia de um número considerável de representantes da burguesia nacional.

Totalmente fora do páreo, aparece o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio. Sua candidatura veio à tona após um racha em seu partido, por conta da manifesta intenção de Heloísa Helena em apoiar a candidatura de Marina Silva, em uma aliança com o PV. Essa postura irritou boa parte da militância do PSOL que não abre mão de que o partido siga defendendo os ideais socialistas, e se torne o maior partido realmente de esquerda do Brasil. Acho louvável o esforço, mas sincera e honestamente, creio que, enquanto o PSOL e os demais partidos socialistas não resolverem dialogar sobre a possibilidade de uma frente única, não adianta bater cabeça por aí, servindo de chacota da imprensa marrom.

Plínio têm uma respeitável história no cenário político nacional, e era o único dos candidatos com mais de 1% da aprovação dos eleitores que tinha uma proposta manifestamente anti capitalista e propunha profundas reformas em todos os setores da sociedade. E o que fizeram com ele? O único representante da esquerda que participava dos debates da TV foi exposto pela mídia como um senhor seníl, à beira da morte, propagando idéias caducas. Na Veja e demais editoriais onde imperam o conservadorismo e o espírito reacionário, Plínio foi pintado como um velho gagá. Seu discurso foi silenciado e o que se viu foi a caricatura de um rebelde antiquado. Quanto aos demais partidos de esquerda que ainda sobrevivem nesse país, PSTU, PCO e PCB, ficaram restritos aos seus não mais que 30 segundos de propaganda eleitoral, tempo que explicita muito bem o quão tendenciosa é a democracia que por aqui impera.



Hoje é sábado. Saúde!



Cheio de espuma e âmbar misturados
Esvaziarei este copo novamente
Visões as mais hilariantes embarafustam
Pela alcova de meu cérebro
Pensamentos os mais curiosos fantasias as mais extravagantes
Ganham vida e se dissipam;
O que me importa o passar das horas?
Hoje estou tomando cerveja.
(Edgard Allan Poe)

O Filosofista está no ar...

Não. O Blog não tem esse nome porque eu me ache uma mistura de filosofo com sofista. E muito menos pelo fato de que quem cuida dos dentes é o dentista, quem faz jornal é jornalista e quem estuda filosofia deva ser filosofista! Isso é apenas um trocadalho do carilho que ouví de um amigo meu a respeito de filosofos. A historia toda não vem ao caso pois não tem graça mas achei o título interessante.

Se eu não ficar bêbado demais como de costume, procurarei manter essa página sempre atualizada com meus textos que comentam assuntos relacionados ao dia a dia, política e atualidades, além de dicas de filmes e música. E claro: Filosofia!

Obs: Tô lendo Bukowski agora (grande novidade!!!!). E como aquele velho bêbado dos infernos sempre me influencia muito, aguardem as postagens do blog com uma lata de cerveja em cada mão.
Por enquanto é isso, porra.

Não há lugar como o Bar!



Karl Marx definiu bem toda a história da humanidade como sendo uma história de constante luta entre classes, porém se existe um lugar onde as diferenças são esquecidas e a democracia reina soberana este lugar é o Bar!O santuário ébrio de alegrias e lamentações, dos encontros órficos, filosóficos e futebolísticos, onde convivem pacificamente gênios e loucos, pretos e brancos, burguêses e proletários. Lá o médico conversa com o garí sobre amenidades, o professor rí das piadas do engraxate enquanto jornalistas, advogados, taxistas e desempregados partilham da mesma embriaguez que ajuda a levar os dias. Lá por alguns momentos todos são iguais, todos buscam o mesmo refúgio e todos dividem as mesmas alegrias e tristezas no que se pode chamar de um verdadeiro "comunismo etílico". Nos bons ou maus momentos da vida, ou simplesmente quando o tédio está nos matando, basta andar um ou dois quarteirões, ou ir até a próxima esquina e encontrar refúgio e consolo.Foi lá que eu virei um grande bêbado, é verdade, mas também foi onde fiz meus melhores amigos e continuo a fazer. Das conversas mais improváveis sobre lógica e Wittgeinstein aos últimos jogos do campeonato. No frio ou no calor, na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza; não há lugar como o Bar!