No último dia 02 de setembro a ministra da casa civil Dilma Roussef visitou o campus Rudge Ramos da Universidade Metodista de São Paulo, a fim de participar do lançamento da candidatura de seu correligionário Luís Marinho à prefeitura da cidade de São Bernardo do Campo pelo Partido dos Trabalhadores. O evento foi realizado no Salão Nobre situado no edifício Beta, o mesmo edifício onde o curso de filosofia é ministrado. Quase toda a patota petista estava presente, desde líderes históricos do partido como Aloízio Mercadante até o protótipo de político e cantor Frank Aguiar, que agora também faz parte da turma e está se lançando como vice de Marinho. Nós, alunos do curso de filosofia, ficamos surpresos com a visita inusitada, ainda mais pelo fato de não termos sido comunicados da presença de figuras tão ilustres da política nacional em nosso prédio naquela fatídica noite. O site da universidade publicou um comunicado no próprio dia em que o evento foi realizado, ou seja, não era da intenção de ninguém que nós, alunos, participassemos.
Um pequeno grupo de alunos do curso de filosofia, aproximadamente 16, resolveu moblizar-se e organizar uma manifestação em repúdio ao ato, já que ele não era aberto para debate com os alunos mas sim, um ato eleitoreiro feito exclusivamente para militantes petistas e para a imprensa. Ora, a universidade não é o lugar mais apropriado para festas partidárias, para isso eles possuem seus diretórios. Nós estudantes protestávamos pelo nosso direito de expressão e contra politicagem dentro da instituição de ensino. Embora a Metodista seja uma universidade privada, entendemos como imoral ceder seu espaço fisíco para eventos desse tipo, onde nem alunos e nem a população podem participar. Um debate entre os candidatos à prefeitura da cidade de São Bernardo com a participação dos alunos seria algo realmente proveitoso, mas o que ocorreu no salão nobre da Metodista naquela noite não passou de uma festa petista e nós alunos não tinhamos sido convidados.
Diferentemente do que tem sido divulgado pela imprensa e pelo PT, nós alunos não invadimos o Salão Nobre, é um absurdo tal afirmação já que o mesmo situa-se no prédio de Filosofia onde estávamos tendo aula. Se houve uma invasão, os invasores não fomos nós. Apenas subimos às escadas que dão acesso ao salão com um cartaz com os seguintes dizeres:
"Politicagem em cima de sala de aula é um péssimo jeito de iniciar um diálogo com a educação."
Isso foi o suficiente para que seguranças e militantes do PT nos jogassem escada à baixo em meio a socos e pontapés. Estávamos em número pequeno e tentamos nos refugiar dentro de nosso prédio, no corredor de acesso às salas de aula, na esperança de que os trogloditas parassem com as agressões. Ledo engano: Nosso espaço foi invadido e dois amigos meus agredidos covardemente praticamente na porta da sala de aula. Aos poucos, devido ao barulho, os estudantes e professores interromperam as aulas e sairam das salas para ver o que estava acontecendo. A imprensa também foi chegando e os covardes agressores correram de volta ao Salão Nobre. Mas a confusão não parou por aí; outros militantes haviam decido e o bate boca se estendeu ao lado de fora do prédio, até que os alunos agredidos se encaminharam à delegacia para prestar queixa contra as agressões sofridas. É óbvio que de nada servirão os B.O´s feitos, mas precisávamos deixar o prédio naquele momento para evitarmos outro confronto que poderia pôr em risco a integridade física de mais alunos.
A LEGITIMAÇÂO DA DEMOCRACIA BURGUESA ATRAVÉS DAS ELEIÇÕES

Após os incidentes ocorridos, a ministra da casa civil Dilma Roussef se pronunciou:
"As manifestações como essa não são democráticas, porque eles (os estudantes) entraram em um local fechado. Se expressaram de uma forma um tanto quanto, eu diria, não necessária. Espero, pelo bem da democracia, que é muito melhor uma convivência mais civilizada".
Dilma Roussef tem razão quando afirma que nossa iniciativa foi anti-democrática. Concordamos com a ministra pois, se democracia se faz com paus e pedras, impedindo que estudantes exerçam seu direito de liberdade de expressão dentro da própria universidade, então sim, somos anti-democráticos e temos a obrigação de ser.
Devemos nos opôr a essa falsa democracia defendida pela ministra onde a população só pode se expressar quando é convocada. Onde as eleições são formas de legitimar os ideais burgueses e a imprensa dissemina a idéia de que o voto é nossa única arma de protesto na tentativa de evitar que nos utilizemos das armas verdadeiras na luta contra essa dominação.
É nosso dever denunciar e lutar contra essa democracia que privilegia àqueles que estão no poder e relegam à população o papel de simples coadjuvantes de sua própria história. É necessário deixar claro também que os alunos que participaram do protesto do dia 02 de setembro não atuaram em nome de partido algum. Fomos todos guiados pela nossa indignação com o descaso por parte dos políticos com o ensino e protestamos contra esse modo arcaico de se fazer política em nosso país. A imprensa deturpou os fatos. Políticos oportunistas de outros partidos, como o adversário direto de Marinho em São Bernardo, o candidato Orlando Morando, estão tentando nos usar como massa de manobra. Não seremos usados por oportunistas de parttido nenhum. Nossa briga não é partidária. Lutamos contra o sistema apoiado por todos eles e por isso agora, dadas as proporções que os fatos atingiram, esclarecer à população e aos demais estudantes da universidade nosso ponto de vista, pois não fomos procurados por ninguém para dar nossa versão sobre o ocorrido.
É mais do que necessário trazer o debate político para dentro das universidades, sejam elas públicas ou privadas, e com esse intuito tentaremos manter esse clima de mobilização e nos organizaremos melhor para evitar que eventos como esse ocorram novamente na universidade. A palavra de ordem é: "Fora Todos". A universidade não é lugar para politicagem. Diante desses absurdos cometidos em nome da democracia burguesa, é necessária a união de todos os estudantes na construção de sua própria direção através dos Centros Acadêmicos (CAs) e em suas ações conjuntas dentro e fora da Universidade!
Abaixo segue o email para contato com os alunos de filosofia da Metodista que estão mobilizados na construção do C.A:

